Playboy Nº 256 | Novembro/1996 | Isabel Fillardis | Ensaio no Marrocos | Entrevista com Maria Bethânia
R$18,90
Uma das pouquíssimas atrizes negras a estampar a capa da revista no Brasil — e a redação levou a produção inteira para o deserto para fazer isso.
Em novembro de 1996 a Playboy brasileira tomou uma decisão que dizia mais sobre o país do que sobre a revista. Escolheu uma atriz de 23 anos, revelada pela Ford Models e consagrada em novelas da Globo, e montou uma produção internacional no norte da África para fotografá-la — véus, luz de deserto e uma direção de arte que nada tinha a ver com o vocabulário praiano habitual. Ao redor dela, Maria Bethânia falava de amor sem categorias, Fernando Morais escrevia sobre charutos e a revista traçava o perfil do homem mais poderoso do Congresso. Uma edição que envelheceu melhor do que quase todas do período.
Estado Geral de Conservação: BOM
CAPA: Bem preservada, com cores vivas e impressão nítida. Apresenta leves sinais de manuseio, pequenos riscos superficiais e discreto desgaste nas bordas, sem rasgos ou perdas relevantes de papel.
CONTRACAPA: Apresenta boa preservação geral da impressão, porém possui perda de um pedaço no canto inferior esquerdo, constituindo a principal avaria estrutural do exemplar. Também são visíveis leves sinais de atrito e manuseio.
LOMBADA: Íntegra, alinhada e firmemente fixada ao miolo, com discreto desgaste nas extremidades, sem desprendimentos aparentes.
PÔSTER: Presente e em excelente estado, com imagens, cores e dobras originais preservadas, sem rasgos, recortes ou perdas de papel aparentes.
MIOLO: Íntegro e em muito bom estado, com páginas completas, limpas e bem fixadas. Algumas folhas apresentam pequenas marcas de orelha, além de leves sinais naturais de manuseio.
COMENTÁRIOS ADICIONAIS: Exemplar de assinante, completo e estruturalmente firme. O pôster encontra-se em condição superior e o miolo está muito bem preservado. A classificação geral é reduzida principalmente pela perda de papel no canto inferior esquerdo da contracapa e, de forma secundária, pelas pequenas marcas de orelha em algumas páginas.
Levar uma produção da Editora Abril até o Marrocos em 1996 não era decisão de pauta — era declaração de intenção. Isabel Fillardis voltou de lá com o ensaio que os colecionadores procuram até hoje, e este exemplar ainda tem o pôster dentro.
Veja mais informações na descrição abaixo.
Informações Rápidas
- Revista: Playboy — edição brasileira
- Tipo de edição: Exemplar de Assinante
- Número da edição: 256 — Ano XXI
- Ano/Data: Novembro de 1996
- Quantidade de páginas: 194
- Editora: Editora Abril
- Preço de capa da época: R$ 6,00
Modelo em Destaque — Isabel Fillardis
Isabel Cristina Teodoro Fillardis nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de agosto de 1973. Quando esta edição chegou às bancas, em novembro de 1996, ela tinha 23 anos recém-completados.
A trajetória até ali já era longa. Começou como modelo aos onze anos e tornou-se profissional aos quinze, contratada pela Ford Models, com passagem pela Itália. Foi a própria agência que a levou aos testes da Globo, e em 1993 ela estreou como atriz interpretando Ritinha em Renascer, de Benedito Ruy Barbosa — abandonando a carreira internacional para se dedicar à televisão brasileira.
O que se seguiu foram três anos de trabalho contínuo em novelas de peso: Pátria Minha (1994), A Próxima Vítima (1995), de Silvio de Abreu, onde viveu Rosângela, e O Fim do Mundo (1996), de Dias Gomes, como Marialva. Ou seja: quando posou, Isabel não era rosto de programa de auditório nem revelação de concurso — era atriz de dramaturgia consolidada, dirigida pelos autores mais respeitados da Globo.
Há ainda um capítulo musical que muita gente esquece. Descoberta cantando nos bastidores de um ensaio fotográfico, foi convidada a integrar o trio As Sublimes, ao lado de Karla Prietto e Lilian Valeska, grupo inspirado no R&B americano que emplacou canções como “Menina Mulher da Pele Preta” e “Boneca de Fogo”. O grupo se desfez em 1998.
Três pontos que dimensionam esta capa.
- Primeiro: Isabel integra o grupo pequeníssimo de mulheres negras que estamparam a capa da Playboy brasileira em quatro décadas de publicação — dado que, por si só, faz desta edição um documento sobre representação na imprensa nacional dos anos 90.
- Segundo: no ano seguinte, ela integraria o núcleo de A Indomada que discutia racismo abertamente em horário nobre.
- Terceiro: o ensaio foi produzido no Marrocos, deslocamento internacional raro mesmo para os padrões da revista naquele período.
Depois desta edição, Isabel seguiu com carreira sólida em novelas como Corpo Dourado, Força de um Desejo e A Padroeira, no cinema em Orfeu e Navalha na Carne, e no teatro. Deixou a Globo em 2012, retornou às novelas em Topíssima (2019) na Record, participou de Dancing Brasil e do The Masked Singer Brasil, e mantém atuação constante como ativista em causas sociais e de inclusão, além do trabalho artístico.
Para o colecionador, é uma das capas mais requisitadas da década — e uma das poucas em que o valor histórico e o valor estético apontam exatamente para a mesma direção.
Ensaio Central — Isabel Fillardis
O ensaio ocupa a página 58 e tem locação declarada na capa: nua no Marrocos. A direção visual abandona o repertório tropical e aposta em tecido esvoaçante, luz de deserto e uma paleta de azuis e areias — a foto de destaque no índice a mostra envolta num véu azul contra o céu, composição mais próxima da fotografia de moda editorial do que do ensaio convencional da revista.
A ficha técnica está registrada na edição: fotografia de Marcus Luconi, um dos fotógrafos mais constantes da Playboy brasileira nos anos 90 e responsável por várias capas do mesmo período. Cabelo e maquiagem de Aloysio Lili Ferraz; anel e brinco de âmbar de Miriam Mamber; colares de Serpui Marie.
A chamada de capa — “Parece miragem!” — trabalha o deserto como metáfora, e é um dos raros casos em que o trocadilho da redação envelheceu bem.
Playmate – Pôster — Lisa Scott
O pôster desta edição é da bailarina americana Lisa Scott, apresentada na página 98 em ensaio descrito pela revista como seu melhor espetáculo. Material licenciado do circuito internacional, prática comum da edição brasileira para complementar o conteúdo nacional.
Registros biográficos confiáveis sobre ela em fontes brasileiras são escassos, e este anúncio não preenche essa lacuna com suposição. O que importa para a peça: o pôster está presente, dobrado nas marcas originais e em excelente estado — o elemento que mais frequentemente falta em exemplares desta década.
Outros Ensaios
- Carmen Electra, página 162 — a cantora e apresentadora americana descoberta e apadrinhada por Prince, anunciada na capa com essa credencial. Em 1996 ela vivia o momento de maior projeção internacional, e o ensaio circulou no Brasil poucos meses depois da repercussão original nos Estados Unidos.
- Tatiana Ceratti, página 124 — apresentada como “uma supercampeã da beleza”, vinda do circuito de concursos, dentro da política editorial de alternar rostos consagrados e revelações no mesmo volume.
Índice da Edição
- 7 — Entre Nós e 8 — Caro PLAYBOY: bastidores da redação e cartas dos leitores.
- 10 — Panteras, Gatas & Coelhinhas: a vitrine de novos rostos enviados por fotógrafos de todo o país.
- 12 — Mulheres: elas contam se preferem sexo selvagem ou carinhoso.
- 14 — De Mulher para Homem: “Uma de 40 por duas de 20”.
- 16 — Assessoria e 18 — Insiders.
- 29 — Entrevista: Maria Bethânia. Conversa franca com a cantora sobre o vale-tudo do amor, a solidão de Xuxa e “aquele cujo nome não se pode dizer”. A declaração destacada na capa — de que o amor pode ser por mulher, homem ou bicho — foi das mais comentadas de 1996, e é hoje um dos documentos mais citados sobre a artista naquele período.
- 58 — Isabel Fillardis: o ensaio de capa, no Marrocos.
- 80 — Hippopotamus: memórias picantes da casa noturna mais badalada do Brasil, ponto de encontro que reuniu de Prince a Pelé. Reportagem de comportamento sobre a vida noturna de elite brasileira, hoje registro raro de um endereço mítico.
- 89 e 136 — Humor.
- 92 — Senhores (e senhoras), é permitido fumar: os melhores charutos do mundo, segundo Fernando Morais — autor de Olga e Chatô, um dos maiores repórteres brasileiros. Ter Morais assinando matéria de estilo de vida dimensiona o padrão editorial da revista naquele momento.
- 98 — Lisa Scott: o ensaio e o pôster da edição.
- 110 — Perfil: ACM. Retrato de Antônio Carlos Magalhães, descrito como “o pajé que quer mandar no Senado”. Publicado semanas antes de ele assumir a presidência do Senado, é um dos perfis políticos mais oportunos que a revista publicou — e documento sobre o exercício do poder na República dos anos 90.
- 124 — Tatiana Ceratti: ensaio adicional da edição.
- 140 — Roupa: os calçados da estação.
- 146 — Heroína: a droga que assusta Hollywood. Reportagem publicada no auge da estética heroin chic e do impacto de Trainspotting, capturando um pânico cultural específico daquele ano.
- 162 — Carmen Electra: o ensaio internacional da edição.
- 176 — 20 Perguntas: Carla Perez, a loura do É o Tchan, falando de sucesso, do primeiro beijo e do que só faz no escuro. Publicada um mês depois de ela estampar a capa da edição de outubro de 1996, a de maior tiragem do ano.
- 184 — Click e 192 — As piadas de PLAYBOY.
Importância Histórica e Cultural
Esta edição documenta o Brasil de 1996 em três frentes simultâneas. Na política, o perfil de ACM registra o momento exato em que o baiano consolidava o comando do Congresso. Na cultura, Maria Bethânia dá uma das entrevistas mais francas de sua trajetória e Carla Perez representa o axé no auge absoluto de sua penetração nacional. E no comportamento, a reportagem sobre heroína capta um medo importado de Hollywood que dominaria o discurso da década.
Mas o valor central é outro. Colocar uma atriz negra na capa, com produção internacional no Marrocos e tratamento estético de fotografia de moda, foi uma decisão editorial excepcional para o padrão da imprensa brasileira daquele período. A edição vale como documento sobre representação, e não apenas como item de coleção — o que a diferencia de praticamente todas as suas contemporâneas.
Graficamente, é exemplar típico da fase: logotipo em azul, chamadas distribuídas nas duas laterais, fotografia de corpo inteiro em locação. Padrão reconhecível de imediato por quem passava pelas bancas em meados dos anos 90.
Curiosidades da Edição
- O ensaio foi produzido no Marrocos, uma das locações mais distantes já usadas pela edição brasileira da revista. O investimento sinaliza o peso que a redação atribuiu a esta capa.
- Carla Perez foi capa da edição imediatamente anterior, de outubro de 1996 — a de maior tiragem daquele ano — e reaparece aqui, um mês depois, na seção 20 Perguntas. As duas edições formam um par natural para quem coleciona o período do É o Tchan.
- Fernando Morais, autor de Olga e Chatô, assina a matéria sobre charutos. É um dos exemplos mais claros de como a Playboy brasileira usava jornalistas de primeira grandeza em pautas de estilo de vida — algo que desapareceria do mercado editorial na década seguinte.
Valor para Coleção
- Apelo de capa por reunir uma das pouquíssimas atrizes negras a ocupar a capa da publicação no Brasil, com produção internacional e assinatura de Marcus Luconi.
- Interesse editorial pela entrevista com Maria Bethânia e pelo perfil de ACM, conteúdos procurados por colecionadores de música brasileira e de memória política, além do público habitual da revista.
- Representatividade de época pelo registro do auge de Carla Perez, pela reportagem sobre o Hippopotamus e pelo retrato do comportamento urbano brasileiro em 1996.
Usos e Benefícios
- Excelente para acervos de revistas brasileiras e coleções temáticas da Playboy, com valor adicional para coleções sobre representatividade na mídia.
- Material valioso para pesquisa gráfica, editorial, publicitária e cultural, com destaque para a entrevista de Maria Bethânia e o perfil político.
- Peça de interesse para quem busca memória afetiva, documentação visual e colecionismo especializado.
Por que Adquirir Este Exemplar?
- Pôster original presente e em excelente estado, o elemento que mais frequentemente falta em exemplares dos anos 90.
- 194 páginas completas e íntegras, sem recortes, rasgos ou páginas ausentes, com amarelamento apenas natural ao tempo.
- Capa de forte demanda entre colecionadores, com valor documental que vai além do apelo visual — uma das edições mais procuradas da década.
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